"O realismo da obra confirma-se, ainda, a par da linguagem e dos temas tratados, com as afirmações que a autora faz no posfácio, deixando claro que a história de Manuela se baseia numa vida real: “Um dia, uma mulher contou-me a sua história de vida, e foi a partir dessa raiz que esta narrativa foi construída e expandida.” Todavia, se esta obra é fortemente realista, se nela ecoam mesmo reminiscências do Realismo oitocentista, como a minúcia e presença das mazelas sociais, ou do Neorrealismo do século XX, como a simpatia pelas personagens populares oprimidas e socialmente excluídas, a verdade é que o romance não se esgota nessas referências, havendo nele um sabor a tragédia não explicável apenas pelas circunstâncias sociais desfavoráveis.
Manuela é, de facto, já acima o disse, uma heroína trágica, sob a qual se abate o destino, sem que ela o mereça e sem que toda a sua desgraça se possa explicar apenas pelas circunstâncias, tal nos romances realistas e neorrealistas. Circunscrita, como outras heroínas de tragédia, a um único espaço (o claustrofóbico Bairro de Santa Iria), nele aprisionada sem remissão, sofre toda a sorte de agruras, mantendo sempre a dignidade que foi apanágio das heroínas clássicas. Diria que sobre ela se vão abatendo várias catástrofes, até à estocada final, clímax do romance – como da tragédia clássica.
Outro elemento da tragédia clássica aqui presente é a hybris, ou desafio, que surge quando Manuela, ainda muito jovem, se entrega, à revelia da moral, a José, que vem a ser o seu algoz. São ainda de referir outros dois elementos da tragédia clássica que Avelina da Silveira, sábia e habilmente, retoma. São eles a impossibilidade de escapar ao fatum, pois, ainda que ajudada por diversos organismos públicos, Manuela não consegue escapar à desgraça – ou às desgraças, que muitas são – e a presença de uma espécie de coro que, tal o da tragédia grega, comenta a ação. Este coro é constituído pelas vizinhas, que, ante o espancamento inicial sofrido por Manuela, dizem e repetem “Ele foi longe demais.”
Por tudo o que ficou dito, creio que Roupa Suja num Estendal de Mágoas merece um lugar de destaque na literatura escrita nos últimos tempos, e a história de Manuela – em boa hora trazida a público – merece reflexão, para que se não perpetuem as brutalidades de que esta mulher foi vítima."
Paula de Sousa Lima, escritora
This powerful novel (Mother of Stones, Mãe de Pedras) explores identity, solidarity, and the sacred power passed from mother to daughter. In luminous prose, my friend Avelina da Silveira crafts a speculative tale rooted in the earth and uplifted by the stars, where women reclaim their history, their bodies, and their futures. A story of survival, legacy, and transformation, Mother of Stones is a dazzling tribute to the strength of women across time.
Diniz Borges, crítico literário e tradutor
"Na contracapa do livro lê-se que “esta é uma história apelativa, o tipo de romance que manterá o leitor acordado a ler muito depois da hora de deitar.” Esta afirmação não podia ser mais justa e verdadeira. Confesso que foi assim que li o romance, deliciando-me com o desenrolar muito bem urdido de uma história “ousadamente feminista”, como também se lê na contracapa."
Foi um prazer ler e apresentar este livro tão empolgante (Mãe de Pedras).
Paula de Sousa Lima (escritora) sobre Mãe de Pedras
"Em "As Gaivotas Também Morrem" a cena política açoriana encontra-se muito bem retratada, tendo em conta os resultados dos últimos atos eleitorais, cena política essa que carece de análise e preocupação. A novela em causa está muito bem conseguida, com uma trama apelativa e com personagens profundas, onde o leitor facilmente segue as suas peripécias. O futuro que se avizinha requer esta tua visão das "esquerdas unidas", na qual muito me revejo. É um livro no feminino, escrito por uma mulher que tem uma visão acerca da política que não se prende a ideologias fixas ou fixadas, é o resultado de uma visão otimista (apesar da reviravolta final) de que "a união faz a força", contendo uma réstia de esperança para quem luta (com as armas que tem) contra a repressão, a exclusão e a opressão, mesmo apesar do final da novela. Gostei muito, li-a de um fôlego só. Resta-me agradecer a tua entrega, também, como escritora." Carmen Bettencourt, SolidariedÁrte, 2024
"Avelina da Silveira...surpreende, sobretudo, pela emoção e maturidade que escorrem dos seus versos deixando o raro prazer de serenamente motivar leituras... Podemos ainda falar de um não menos raro domínio técnico: dosagem de palavras, poder de síntese e rigor na contenção da ideia, construção consentida e sabida do verso." Álamo Oliveira, Poeta, dramaturgo e agente cultural 1984
"És tu toda inteira que está na Identidade do Pássaro -- em cada pegada do teu caminho. De Face Erguida, estalas no silêncio como a verdade inviolada. E és pedra, espuma e lava quando Insularmente nos exprimes. Partilhei (partilho) daquele silêncio que entra devagar... E queria ter escrito Gastámos nosso espaço de ser gente. E Mulheres da Tarde. E mais Onde o Tempo Mora. Baloiças, continuamente, entre mágoa/ágoa e a sensualidade da terra que tu és. E porque insularmente te mediste, conheces até onde as profundidades do teu Mar." Fernando Aires, Professor, cronista, 1986